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02.07.2010

IBM cria índice de sofrimento no trânsito. São Paulo está em 6º lugar

Transito caotico
Em Moscou, as pessoas gastam mais de três horas respirando poluição umas das outras enquanto quase não saem do lugar. Em Nova Deli, 96 por cento dos motoristas dizem que o trânsito é tão infernal que prejudica sua saúde. Sete em cada dez motoristas de Pequim já disseram “dane-se” e voltaram para casa. [n.t.: em São Paulo, o maior registro de congestionamento é de 293 km, às 19h, em um dia de chuva].

Os devoradores de números do IBM Research entrevistaram 8.192 motoristas em vinte cidades e – surpresa? – a maioria respondeu que o trânsito só piorou nos últimos três anos. Mais da metade disse que os congestionamentos prejudicaram sua saúde física ou mental. Um terço disse que isso prejudica sua produtividade na escola ou no trabalho.

Como observou a IBM, congestionamentos cada vez maiores é um fenômeno relativamente novo em mercados emergentes onde a economia cresce mais rápido que a infraestrutura. O que contrasta com cidades como Nova Iorque, Houston e Los Angeles, onde o crescimento se deu com o tempo, permitindo que os engenheiros de tráfego tentassem acompanhar [o crescimento].

Independente da causa, a resposta não vem do asfalto.

“Soluções tradicionais – construir mais vias – não serão suficientes para acompanhar o crescimento do trânsito nestas cidades que se desenvolvem rapidamente, então múltiplas soluções precisam ser aplicadas simultaneamente para evitar uma falha nas redes de transporte”, diz Naveen Lamba, que tem o inusitado cargo de “líder industrial global para transportes inteligentes” na IBM. “Novas tecnologias são necessárias para que os responsáveis pelos transportes entendam e gerenciem melhor o fluxo de tráfego”.

Você deve imaginar que a IBM diria isso por desenvolver esse tipo de tecnologia. Mas os números dão força a estas afirmações. A China é o maior mercado mundial de automóveis, e o volume de tráfego em Pequim cresce anualmente dez por cento. Moscou diz que resolver seus engarrafamentos custaria US$ 6,5 bilhões. A velocidade média no trânsito de Nova Deli cairá de 15 km/h para 5 até o final do ano que vem. E a lista continua.

A IBM usou os resultados para montar o “Commuter Pain Index” (“índice de sofrimento no trânsito” em tradução livre), que tabula o custo emocional e econômico do caminho entre casa e trabalho/escola. O índice mede dez diferentes critérios, desde o tempo gasto no trânsito a frequência com a qual as pessoas simplesmente desistem e dão meia volta:

Commuter Pain Index da IBM

São Paulo tem a sexta pior marca mundial no Commuter Pain Index

Alguns destaques – negativos, claro – do estudo:

Quarenta e nove por cento dos entrevistados disseram que o trânsito piorou nos últimos três anos e dezoito por cento disseram que piorou muito. Por outro lado, dezesseis por cento dos entrevistados em Pequim e dezessete em Nova Deli disseram que as coisas melhoraram.

Quase nove entre dez entrevistados disseram que se viram em uma situação de trânsito parado nos últimos três anos. O atraso médio era de uma hora, mas isso para os moscovitas se parece mais com um sonho bom. Eles estão acostumados a perder uma média de duas horas e meia parados nos trânsito. Quarenta por cento disseram que gastaram três horas ou mais em congestionamentos.

Trinta e um por cento dos entrevistados disseram que pegaram um trânsito tão ruim que simplesmente deram meia volta para casa. O número subiu para 69 por cento entre os moradores de Pequim.

Nos Estados Unidos, 85 por cento dos entrevistados disseram que o trânsito está tão ruim ou pior que três anos atrás. Mas isso não significa que eles vão mudar seus hábitos. Mais de 80% das pessoas vão ao trabalho sem carona – em comparação com os 50% no resto do mundo – e apenas 3,1% procuram levar colegas, compartilhando o carro.

Talvez seja por isso que eles gastam mais dinheiro dirigindo que comprando comida.

A pesquisa da IBM, feita pela internet pela Survey Sampling International em 2008 e 2009 e divulgada no dia 30 de junho, tem uma margem de erro (para cima ou para baixo) de dois pontos percentuais e de cinco pontos quando se comparam cidades. Os entrevistados eram motoristas entre 18 e 65 anos de idade.

Fonte: Jalopnik

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